REDAÇÃO FLY BY NIGHT

Entrevista com DJ Mau Mau

'Coisas simples me fazem feliz, mas ter escolhido minha área de trabalho e conseguir me sustentar dela por tantos anos, não tem preço!'

11/10/2017 | 09:40 - por Redação FBN
Entrevista com DJ Mau Mau

Headliner da logoNova
Porto Alegre - RS
Nova
(que rola hoje no logoBar Ocidente
Porto Alegre - RS
Bar Ocidente
), Mauricio Bischain, popularmente conhecido como DJ logoMau Mau
E-Music
Mau Mau
, é considerado uma das lendas vivas da música eletrônica brasileira. Influenciado pelo movimento underground americano e europeu, logoMau Mau
E-Music
Mau Mau
, em plena adolescência, iniciou sua carreira como DJ em 1987 no lendário Madame Satã, em São Paulo, onde precisava falsificar RG para poder tocar.

Um dos pioneiros da música eletrônica no Brasil, foi residente do clube Sra. Krawitz e do Hell’s Club, lugares míticos e responsáveis pela formação de uma cena consistente e pela disseminação da música eletrônica no país. Mauricio, além de marcar presença nos principais clubs e festivais, já participou de projetos com outros grandes nomes, como logoRenato Ratier
E-Music
Renato Ratier
(com o logoKings of Swingers
E-Music
Kings of Swingers
) e logoAnderson Noise
E-Music
Anderson Noise
+ logoRenato Cohen
E-Music
Renato Cohen
(com o B3B). Atualmente, o DJ e produtor está em turnê que celebra os 30 anos da sua carreira.



O que te faz feliz?
Coisas simples me fazem feliz, mas ter escolhido minha área de trabalho e conseguir me sustentar dela por tantos anos, não tem preço!

Existe algo mais sensacional do que a música (seja eletrônica ou qualquer outro gênero)?
Difícil pensar em algo tão mágico... a música me move, inspira e permite direcionamento para outras coisas boas da vida.

Onde você busca motivação? Fazer o que se ama, seria o segredo?
Fazer o que amo já é um grande diferencial nessa vida cheia de obstáculos. Minha motivação vem do próprio trabalho, onde tenho a oportunidade de viajar e conhecer outras culturas pelo mundo.

Quais foram os maiores acontecimentos da sua carreira?
Tantos momentos inesquecíveis, mas vamos lá, sem ordem cronológica posso citar:
- Minha primeira gig internacional em 1995, no festival francês Transmusicales, a convite do DJ logoLaurent Garnier
E-Music
Laurent Garnier
. Eu e a banda logoNação Zumbi
Rock 'n' Roll
Nação Zumbi
, ainda com Chico Science, representamos o Brasil, na cidade de Rennes.
- Participação no primeiro Trio Eletrônico de Daniela Mercury em Salvador, no ano 2000, abrindo fronteiras e mudando a história do Carnaval Baiano.
- Skol Beats 2002 em Interlagos, set que consagrou minha carreira. A imagem desse momento, registrada pelo fotógrafo Fábio Mergulhão. virou capa do livro TODO DJ JÁ SAMBOU de Claudia Assef
Todo DJ já sambou
Reprodução: capa do livro "Todo DJ já sambou" de Claudia Assef.

- Em 2007 o trabalho mais desafiador da minha carreira: remixar o espetáculo musical "Ópera Eletrônica - O Guarani" de Carlos Gomes, reconstruída e remixada em parceria com o produtor Franco Junior e o maestro Fabio Gomes de Oliveira.
- Em 2002 apresentação no teatro Municipal de São Paulo com participação do Cantor Noite Ilustrada, comemoração de 10 anos da coluna Noite Ilustrada da jornalista Erika Palomino;
- Em 2000 lançamento do carro Vectra GT Remix ,onde fiz uma versão para "Take On me "da banda A-Ha, com ações publicitárias que envolveram rádio, revista e internet. - Remix para o tema de abertura do programa Fantástico da rede Globo, com direto a matéria e vinculação do meu remix durante seis anos, em vinhetas e chamadas na emissora.
- Residência na festa francesa Open House , onde me apresentei por várias cidades da França durante dois anos.
- Homenagem que recebi em 2003 da Parada Ame em São Paulo. - Os mais de trinta prêmios de Melhor DJ e produtor Musical que recebi de veículos de informação especializados em música, entre jornais, revistas e associações.

Como é sua rotina, hoje em dia? Mudou muito, comparando com o início da carreira?
Nos primeiros cinco anos de carreira precisei ter outras atividades para poder me sustentar, fui bancário, fiz parte de grupos de dança e trabalhei no escritório do DMC Brasil. O número de apresentações também eram bem inferiores, não passavam de quatro por mês. Hoje em dia divido meu tempo entre estúdio, onde componho minhas produções musicais e cabine som, fazendo meus sets mundo a fora. O tempo está mais curto, mas a paixão continua a mesma.

Infelizmente, de vez em quando, aparece matérias preconceituosas com relação a música eletrônica. Você, que tem 3 décadas de carreira, como vê esse tipo de matérias? Há alguma maneira de mudar essa opinião equivocada?
É impossível agradar 100% em qualquer área de entretenimento, opiniões positivas e negativas sobre música eletrônica, sempre existirão. Matérias negativas, as vezes, têm resultado positivo inesperado, criando polêmica e obrigando a sair da área de conforto. A noite tem seus altos e baixos, mas sempre se renova. O importante é seguir honestamente compartilhando informação verdadeira.

No Brasil, temos alguns clubs icônicos como logoWarung Beach Club
Itajaí - SC
Warung Beach Club
, logoD-Edge
São Paulo - SP
D-Edge
, logo5uinto
Brasília - DF
5uinto
, logoBeehive Club
Passo Fundo - RS
Beehive Club
e logoAnzu Club
Itu - SP
Anzu Club
. O quão importante, para cena, é ter clubs desempenhando um belo trabalho?

Há anos os grandes clubs no Brasil funcionavam sem estrutura e com proposta musical mais pop. Com o crescimento da cena surgiram lugares com boa infra estrutura, qualidade sonora e música mais conceitual, fatores muito importantes para o grande intercâmbio cultural que ocorre hoje em dia. Os lugares citados são verdadeiros templos da eletrônica no nosso país e alguns estão entre os melhores do mundo.

Se você tivesse o "poder" de corrigir um problema no mundo, qual seria?
Um dos grandes problemas no mundo é o preconceito, que gera intolerância, falta de respeito e amor ao próximo. A música consegue ao menos por alguns momentos e em alguns lugares, unir várias tribos distintas. Se tivesse esse poder, eliminaria o preconceito das pessoas e substituiria por mais amor... acho que todas as desgraças e injustiças do mundo teriam um caminho bem diferente!

A experiência influencia muito na hora de produzir? Você nota alguma diferença, se comparado desde quando você iniciou a produzir?
Sim, certamente. O domínio dos equipamentos e a facilidade para conseguir chegar onde se quer, depende muito da prática constante e de um aprendizado infinito. Estudar e se informar sobre novos equipamentos é essencial.

O logoDubfire
E-Music
Dubfire
, para celebrar 10 anos de carreira, lançou um álbum. Você chegou a cogitar essa hipótese, de fazer um álbum ou coletânea para comemorar os 30 anos?

Lancei um álbum mixado com produções próprias pelo selo do logoClash Club
São Paulo - SP
Clash Club
, quando completei 25 anos de carreira. Esse ano, devido a agenda de trabalho, não consegui focar em um álbum específico para comemorar a data, mas ao menos um Ep com quatro músicas eu garanto. rs

Em algum momento, você já pensou em parar de tocar?
No início de carreira, quando não ganhava o suficiente nem para comprar discos, sim, várias vezes. Agora que minha profissão se divide entre produtor musical e DJ, a intenção é tocar até a saúde e o interesse do publico permitirem.

Nossa pergunta clichê: qual o legado que DJ logoMau Mau
E-Music
Mau Mau
deseja deixar na cena (após olhar toda tua trajetória, daqui uns 30 anos)?

Minhas obras fonográficas, lançadas ao longo de minha carreira. Por enquanto são: dois álbuns do meu projeto M4J, três álbuns autorais, duas compilações e mais de 60 músicas e remixes em lançamentos digitais e vinis, em vários selos nacionais e internacionais.

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