REDAÇÃO FLY BY NIGHT

[THE RESIDENTS] Entrevista com Fabricio Peçanha

'O verdadeiro prêmio está na arte que você faz'

03/11/2017 | 08:40 - por Matth
[THE RESIDENTS] Entrevista com Fabricio Peçanha

Uma história incrível de amor pela arte fez o nosso entrevistado chegar ao posto de mais alto nível de influência no mundo da música eletrônica. Reconhecido e reverenciado por toda sua trajetória, é residente da pista conceitual do logoGreen Valley
Camboriú - SC
Green Valley
, a Underline, produtor altamente renomado, coleciona hits, além de tudo abriu o jogo sobre sua vida para nós. Ladies and gentlemen, com vocês, o mestre: logoFabricio Peçanha
E-Music
Fabricio Peçanha
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FABRICIO PEÇANHA

Primeiramente seja muito bem-vindo logoFabricio Peçanha
E-Music
Fabricio Peçanha
, é uma honra tê-lo aqui conosco. Vamos começar lá no início dos anos 90 em Porto Alegre, como era essa época, traçando um paralelo com o que você vê hoje em dia na música eletrônica?

Olá, a honra é toda minha. Obrigado pelo espaço, é sempre um prazer poder dividir minhas ideias com vocês. Bom, nos anos 90 a música eletrônica ainda engatinhava no Brasil, já existiam alguns clubs e festas, inclusive em Porto Alegre. Mas a cena era pequena, restrita a poucos entendedores de música. Os DJs ainda eram pouco valorizados e, por incrível que pareça, sofríamos um preconceito enorme, éramos taxados como gays, loucos, drogados e por aí vai. As pessoas entendiam pouco sobre o assunto e por isso tinham uma repulsa com esse estilo "novo" e repetitivo. Por outro lado, ao público que frequentava esse tipo de festa era mais unido e existia um "q" de ingenuidade na cena eletrônica, coisa que foi se perdendo com o tempo.


Você tem uma linha de som que transcende um determinado gênero ou estilo, é isso mesmo a sua pretensão? Conta mais sobre a forma que você vê a própria música.
Exatamente, depois de muitos anos na estrada fui aprendendo a mesclar estilos de música formando uma certa característica, personalidade no som. Passei por vários gêneros, mas os que sempre me encantaram foram o House e o Techno, são estilos que formam a base da música eletrônica e por isso abrangem um leque muito grande de ramificações, então mesmo tocando Techno, consigo passear por timbres diferentes deixando o set mais interessante. Além disso gosto da inovação, do diferente, do fora da curva e o Techno consegue me dar os elementos que mais gosto no som, como o groove, por exemplo.


Hoje você é residente da Underline que inclusive vem sendo muito prestigiada. De que forma se deu essa conexão e qual seu sentimento em fazer parte desse time incrível?
Eu já toquei várias vezes na GV, mas, pela pista do Underline ser um projeto mais novo, acabei tocando lá pela primeira vez há pouco tempo. Depois da primeira apresentação por lá, a equipe da GV/Underline me convidou pra fazer parte do time. Eu curti muito o convite, por ser um pista mais a ver com meu som e, claro, por todo carinho que tenho pela galera da GV! Todas as vezes que toquei lá foram muito boas, cada apresentação vejo a Underline mais forte, levando um público mais interessante e mais ligado à música. A pista começou como uma segunda opção da GV, mas hoje muita gente vai lá exclusivamente para curtir a Underline.

Um dos nomes mais importantes da música eletrônica brasileira: @FabricioPecanha está de volta e encerra a noite na Underline_! #GreenValleyBR #GreenValley10 #FabricioPecanha

Publicado por Green Valley em Segunda, 1 de maio de 2017



Recentemente foram anunciados os vencedores do Remix Contest da tua música “All Over Again” pela Underline. Como foi essa a experiência?
Eu já tinha feito alguns remix contests, mas esse foi diferente, o selo Underline tem um peso enorme e o projeto desse lançamento foi super bem feito e muito legal. Eu, juntamente com a equipe do selo, selecionamos os remixes e foi bem difícil, muita coisa boa. Infelizmente, tivemos que escolher alguns poucos remixes - por sinal muito bons. Fiquei muito feliz com o resultado e com a quantidade de produtores que entraram nesse projeto. Certeza vem muita coisa boa por aí no selo Underline Records!


Moom Records, 303 Lovers, No Definition, logoGreen Valley
Camboriú - SC
Green Valley
Music, D2 Records (recentemente com o logoJuan Rodrigues
E-Music
Juan Rodrigues
), são alguns dos selos com os quais você já lançou, o que deixa logoFabricio Peçanha
E-Music
Fabricio Peçanha
inspirado? Podemos esperar mais lançamentos logo?

Sim, já tenho mais umas 20 músicas prontas para lançar em breve, amo música eletrônica, respiro isso todos os dias, então fazer música é uma espécie de relax pra mim, difícil me sentir tão bem em algum lugar como em um estúdio.


De logoPlaneta Atlântida
Atlântida - RS
Planeta Atlântida
a Skol Beats, de Cocoon a Creamfields, existe algum lugar em que você ainda sonhe em tocar?

Já tive a oportunidade de conhecer boa parte do mundo através do meu trabalho e tenho muito orgulho disso, já toquei em muitos lugares que nunca imaginaria ir um dia e já sou grato por tudo que vivi até aqui. Mas a gente não para, estamos sempre atrás de coisas novas, lugares diferentes e de alguma forma sempre estar acrescentando algo para a cena. Ainda existem muitos lugares que quero ir tocar, como por exemplo, Japão e Austrália e depois de tocar nesses vou querer outros... Isso nunca vai acabar.


Você coleciona prêmios e reconhecimentos na sua carreira, sendo sempre merecidamente citado como um dos grandes precursores da cena no Brasil. De que forma você lida com essa responsabilidade?
Já dei mais importância para premiações e citações, era muito inocente e acreditava que isso fazia alguém melhor, mas depois aprendi que nem sempre esses prêmios são 100% verdadeiros, acabei presenciando coisas que não gostaria de ver e vi muita gente se perdendo buscando reconhecimento, deixando gosto, estilo, tudo pra trás na busca desenfreada para aparecer. Então acabei vendo que o verdadeiro prêmio está na arte que você faz. Não existe melhor nem pior e sim o DJ que gosto ou não. Depois de entender tudo isso me senti mais livre pra fazer o que curto e buscar coisas diferentes do que todo mundo está fazendo por aí.

Olhando para toda sua trajetória, momentos e conquistas, o que você diria a todos que fizeram e fazem parte da tua jornada?
Se pudesse abraçava um por um, com certeza eu estou aqui agora por causa das pessoas que me acompanham e torcem por mim. Tive a felicidade de conhecer o mundo, muita gente legal, clubs incríveis e festas memoráveis. Me considero um cara com muita sorte por fazer o que amo e ainda receber tanto carinho da galera. Acredito que isso é graças à veracidade que faço meu trabalho e que as pessoas reconhecem um job autêntico, sem segundas intenções a não ser a música. E enquanto o público curtir isso vai me ver pelas pistas por aí.

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