REDAÇÃO FLY BY NIGHT

[THE RESIDENTS] Entrevista com Cris D

‘Música pode sair de um filme, de um áudio que tu escutas, de uma melodia que te inspira, de uma história e por aí vai, importante é não ter limites'

22/01/2018 | 12:43 - por Matth
[THE RESIDENTS] Entrevista com Cris D

Inspiração, técnica, pro atividade, reunidos em arte e sintetizados em música, nosso convidado é uma das grandes promessas (realidade) da cena no estado, com grande empatia é residente de um dos clubs mais interessantes do interior do estado, o logoMuinho Club
Farroupilha - RS
Muinho Club
, além de idealizador da label Beat On Me. Ele nos contou ainda sobre toda sua trajetória, inspirações e revelou em primeira mão o que vem por aí em 2018. Senhoras e senhores respirem fundo, e recebam diretamente da Serra Gaúcha: logoCris D
E-Music
Cris D
!



Salve Cris, bem-vindo ao The Residents, sinta-se em casa. Vamos iniciar falando sobre como foi a sua primeira conexão com a música, de que forma ela aconteceu e o que rolou de lá para cá?
Salve pessoal do FBN! Obrigado pelo espaço. Minha família sempre foi ligada a festas, não diretamente com a música, mas mais ao agito (risadas). Minha vó sempre dizia que uma festa boa tem que terminar de manhã, minha mãe também sempre gostou de uma baladinha e meu pai organizou muitos eventos. Por volta de 2007 eu ganhei aquele DVD histórico do logoFatboy Slim
E-Music
Fatboy Slim
e descobri o Dedmau5 e falei em casa: "Quero ser DJ!" Sempre fui meio nerd com computadores entre outros e notei que ele usava outros recursos para tocar, ao qual hoje eu entendo como funciona, mas na época me encantou demais. Comecei a organizar festas no grêmio estudantil da minha escolha e veio a oportunidade de aprender a discotecar com meu professor Bruno Marques. Ganhei meu primeiro fone, case e uns 20 cds de presente de aniversário da minha vó. Aprendi e nem tentei conseguir alguma gig, demorou 1 ano para eu encontrar minha primeira e fui gostando cada vez
mais, isso era por volta de 2010/2011. Conheci o Gui Chiele que cuidava das festas no Muinho e entrei como promoter e trabalhei um tempo dessa forma lá. Ele descobriu que eu tocava e me deu a oportunidade em algumas festas, quando ele saiu lembro como ontem que me deu de presente a residência no club e em 2018 faz 5 anos que faço parte da família Muinho. Acho que é visível para mim em todos aspectos a evolução que eu tive e cada vez mais a música ficou na minha vida, tanto nos momentos bons e ruins. Hoje realmente não consigo viver sem ela. Nesses 6 a 7 anos que toco, já dividi cabine com muita gente, conheci muitas cidades e criei uma rede enorme de amigos!

Você é residente de um dos lugares mais bacanas do interior do RS, o logoMuinho Club
Farroupilha - RS
Muinho Club
. Na sua opinião, qual o real papel do DJ residente para a cena musical de uma região ou estado?

Muinho é minha segunda casa sem dúvida, ele é um club sensacional e a história de como foi criada daria um livro! Os donos, Natália Malfati e o Gustavo Covolan, sempre me trataram como um filho e isso é sensacional! Para mim o residente é muito mais que “o DJ que toca sempre lá”. Quando você é residente de um lugar, você representa uma marca, um ideal e as vezes é influenciador de muitas pessoas. Pesquisa sendo colocadas na pista, trazer o novo e saber conduzir o público ao qual você vê na rua, no trabalho entre outros é uma sensação demais! Farroupilha tem em torno de 70 a 80 mil habitantes e ver a evolução musical que o público teve nesses 9 anos de club me deixa muito feliz por ser um dos responsáveis. Hoje eles estão cada vez mais abertos ao novo, respeitam os sets de todos DJs e produtores e ainda pesquisam para conhecer mais. Existem vezes que o público ate te cobra por você criar sets em outros lugares e não executa-los no clubinho (risos). Lembro que sempre fui fã de Tim Maia e o Muinho teve alguns tributos a ele, então, toquei “Acenda o Farol” na logoLevels
Porto Alegre - RS
Xangri-Lá - RS
Levels
, na edição que estava no line, e na festa seguinte que toquei no Muinho me “cobraram” o porque não estava tocando a track lá, isso me deixou feliz demais, ou seja, longe ou perto, as vezes residentes tem públicos fiéis ao seu trabalho.


É inegável sua vocação artística, como poucos você alia técnica e arte. Quais são suas fontes inspiradoras e como isso acontece com você?
Fico muito feliz com a visão que vocês têm do meu trabalho, obrigado mesmo. Além de DJ sou estudante de design e ainda tem pessoas com a visão que um designer vai somente criar flyers, mas está longe disso, ele tem o papel de criar, recriar, reinventar e ainda misturar tudo isso, assim sou como produtor, para mim não temos que ter aquele clichê música boa tem de ser gerada por analógicos estúdios ou equipamentos caríssimos. Música pode sair de um filme, de um áudio que você escuta, de uma melodia que te inspira, de uma história e por aí vai, importante é não ter limites para sua criação. É dessas coisas que citei que tiro muito do que vem nas minhas produções, último ano mesmo ampliamos com o logoGeekbass
Hip Hop, E-Music
Geekbass
(projeto que tenho com o logoMau Maioli
E-Music
Mau Maioli
, produtor, colega de residência e meu melhor amigo) um áudio do Pequeno Príncipe, ao qual eu não conhecia a história, mas que foi de muita importância para mim em 2017 e tem um baita significado. Por outro lado, minhas fontes divido pela parte de construção e admiração. De construção, que fica a cargo de produções musicais são o Laercio aka logoL_cio
E-Music
L_cio
, que é um exemplo de humildade e criatividade e que fico muito feliz em já ter dividido cabine com ele e a italiana Giorgia Angiuli, pelo lado nerd dela que como meu, tudo vira música. De admiração e na minha humilde opinião, para mim, os melhores DJs do estado são: logoMau Maioli
E-Music
Mau Maioli
, logoFran Bortolossi
E-Music
Fran Bortolossi
, logoAnder Oliveira
E-Music
Ander Oliveira
, logoButzge
E-Music
Butzge
, logoFer Oliveira
E-Music
Fer Oliveira
e o logoGabriel Carminatti
E-Music
Gabriel Carminatti
. Já tive a oportunidade de produzir junto, dividir cabine ou até b2b, são pessoas maravilhosas tanto dentro quanto fora dos decks, se adaptam em qualquer pista e tem seus projetos de festas ou produções a todo vapor, me espelho muito.



Sobre a label Beat On Me, conta mais para nós, como surgiu, e qual é o intuito da marca?
A gente gosta de falar brincando que a Beat é a mais novinha das labels da serra (risos). Ela nasceu em 2015 criada por mim, o logoMau
Reggae, E-Music, Rock 'n' Roll
Mau
e os donos do Muinho. Lembro que a ideia surgiu na madrugada o sobre termos um projeto fixo de
música eletrônica no club. De lá para cá foi só alegria, a Beat se tornou uma festa sem rotulo, ou seja, não é uma festa somente de Techno ou somente de qualquer outro estilo único, ela é uma festa de amigos para amigos. Hoje ela tomou uma proporção de alcance muito grande e a cada edição é uma alegria só. Todas as edições criamos o hábito e a obrigação por nós mesmos de colocarmos alguém do estado, porque acima de tudo possuímos artistas maravilhosos e queremos valorizar cada vez mais. Hoje ela é construída por diversas pessoas, desde os promoters que trabalham, as pessoas que divulgam e tantos outros envolvidos, ou seja, não é mais um projeto somente nosso e sim de todos!


Jogo rápido:
Um lugar: Praia Brava
Uma pessoa: minha vó.
Um sentimento: respeito.
O que te tira do sério: “DJ mesmo não pode usar computador” (isso me irrita profundamente).
Sempre está na playlist: Giorgia Angiuli.
Um artista: logoNicolas Jaar
E-Music
Nicolas Jaar
.
Um sonho: abrir uma escola de música para crianças carentes.
A melhor comida: é a da minha mãe sem duvida! (risos)

Você vem trazendo muito mais que música para a cena, que recado logoCris D
E-Music
Cris D
deixa para todo mundo que vem se conectando contigo nessa estrada e o que podemos esperar para 2018? #spoiler

Eu tento trazer sempre um pouco de mim para a pista e isso tem me deixado feliz por ler/escutar comentários como o que vocês citaram agora! Obrigado novamente. Tem muita coisa boa, algumas posso contar exclusivamente para vocês, outras não (risos)! O ano de 2017 foi bem complicado para mim pela perda da minha vó (fui criado por ela e era minha segunda mãe) entre outros, mas deu para construir coisas que vou colher em 2018. A primeira que vou estrear meu live esse ano, com muitas produções e depois de estudar muito vai sair finalmente! Além dele, acredito que em fevereiro sai um projeto novo (também live) meu e de um produtor aqui de Farroupilha, logoEdu
Edu
Miranda. Sobre a Beat On Me, ela vai ganhar novos lugares com uma ideia nova e já temos 2 lugares, um é em Porto Alegre, na festa Síntese que é irada e de uma nova geração muito sangue bom e o outro não podemos revelar, mas vai ser em um dos melhores clubes do interior! Tem track
nova saindo em um EP pela Dalzochio music, selo que eu sempre quis lançar algo por ser um dos iniciantes da música eletrônica aqui em Farroupilha, e sobre track tem um baita significado para nós. E para fechar, tem minha estreia em um dos melhores clubes do Brasil (fora do estado), ainda não posso contar o nome, mas estou louco para revelar! Aguardem!

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